Helicóptero a combater incêndios
Foto de Graham Roy (Pexels)

Operação Torre de Controlo: Desmantelado Cartel de Helicópteros em Portugal

A Polícia Judiciária leva a cabo uma operação de investigação de um esquema de corrupção em contratos públicos envolvendo helicópteros, com ligações a figuras políticas destacadas, que pode ter lesado o estado em milhões de euros.

A Operação Torre de Controlo, coordenada pela Polícia Judiciária (PJ), visando um complexo esquema de corrupção nos contratos públicos para os meios aéreos de combate a incêndios, continua a desenrolar-se por todo o território português. A investigação revela a possível existência de um cartel de empresas que poderão ter manipulado concursos públicos, garantido contratos lucrativos e inflacionando os custos ao Estado em milhões de euros.

Até o momento, doze arguidos foram identificados, dos quais sete são indivíduos singulares e cinco entidades coletivas, de acordo com informações fornecidas por fontes ligadas à PJ. Este grupo de suspeitos está a ser acusado de várias infracções, incluindo corrupção activa e passiva, burla qualificada, tráfico de influência, associação criminosa e fraude fiscal qualificada.

Segundo dados disponíveis, as empresas envolvidas, só no último ano e meio, celebraram mais de 30 contratos tendo como principal objetivo o fornecimento de meios aéreos destinados ao combate ao fogo, totalizando valores superiores a 175 milhões de euros. Entre as entidades investigadas encontra-se a Gesticopter, com sede em Monfortinho, distrito de Castelo Branco, que possui ligações familiares ao ministro António Leitão Amaro.

Durante as operações de busca realizadas pela Polícia Judiciária, as autoridades cumpriram 28 mandados de busca e apreensão em residências privadas, sedes de empresas, incluindo organizações públicas, espalhadas por diversas regiões como Lisboa, Porto, Faro, Castelo Branco e Bragança. As suspeitas centrais apontam para que as empresas tenham operado sob uma lógica de cartel, com regras de concurso de contratação pública viciadas, levando o Estado a aderir a contratos por ajuste directo, evitando uma seleção mais custo-efectiva e transparente.

A investigação, que envolve cerca de 140 inspetores da PJ, além de especialistas de várias áreas técnicas, também aborda a possível cumplicidade de altos responsáveis das forças armadas portuguesas e suas ligações estreitas com fornecedores do sector de defesa, um ramo onde são notados riscos acrescidos de práticas de corrupção, dada a proximidade entre funcionários e fornecedores.

Durante a operação, a Força Aérea Portuguesa declarou estar a colaborar com as investigações, garantindo todo o apoio necessário às diligências policiais realizadas. Esta colaboração é enfatizada numa altura em que o Ministério da Defesa promete pronunciamentos detalhados após a recolha de mais informações e esclarecimentos sobre o caso.

Neste panorama de investigação, a transparência e uma revisão aprofundada dos processos de contratação pública tornam-se essenciais, visando assegurar que o combate a incêndios em Portugal ocorra sob uma base de eficiência, segurança e livre de práticas antiéticas.

Este artigo foi produzido com base nas seguintes fontes: https://expresso.pt/sociedade/seguranca/2025-05-29-operacao-torre-de-controlo-ha-doze-arguidos-no-caso-do-cartel-dos-helicopteros-229ef7cb, https://www.dn.pt/sociedade/opera%C3%A7%C3%A3o-torre-de-controlo-empresas-investigadas-ganharam-mais-de-342-milh%C3%B5es-de-euros-em-contratos-p%C3%BAblicos e https://sicnoticias.pt/pais/2025-05-29-buscas-da-pj-envolvem-empresa-com-ligacoes-a-cunhado-e-irmao-do-ministro-leitao-amaro-8e7a2c84

Comments

No comments yet. Why don’t you start the discussion?

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *